Como Utilizar a Influência de Maneira Positiva – O Caso PewDiePie

Se você está vivo em 2018 e ainda não sabe quem é PewDiePie ou T-Series, você precisa urgentemente fazer um catch-up dos últimos acontecimentos da cena do entretenimento online mundial. Caso você não saiba por onde começar, me deixa te ajudar a se inteirar dos fatos.

Mas antes, precisamos entender o porque este assunto é importante. Em um mundo onde cada vez mais pessoas almejam se tornarem influenciadores digitais, poucos percebem a importância do título. Ser um influenciador, significa que sua voz é quase lei. No Rock in Rio, por exemplo, no palco Digital Stage, Whindersson Nunes contava com mais seguidores no YouTube do que as principais atrações do palco mundo: Maroon 5, Guns N’ Roses e Justin Timberlake.

Bom, mas vamos ao que interessa.

PewDie quem?!

Felix Kjellberg, também conhecido como PewDiePie (ou Pewds), é um YouTuber Sueco que começou sua carreira nos idos de 2010. Na época, foi pioneiro na categoria Let’s Play, onde YouTubers gravam seus momentos de jogatina enquanto comentam o que estão vivenciando no jogo. Na sua primeira fase como YouTuber, Pewds teve um crescimento exponencial por vários motivos. O mais aceito até hoje, explica que o crescimento se deu por conta de uma série de mudanças que a plataforma do YouTube estava sofrendo na época. Outros, implicam que Felix utilizou diversos bugs da platorma para estar na página inicial do YouTube em 3 países diferentes.

Em dezembro de 2011, seu canal atingiu a marca de 60.000 inscritos. Ao atingir a marca de 2 milhões, torna-se o canal número 1 do YouTube. Nesse momento, Felix Kjellberg já começava a se tornar uma das maiores personalidades do mundo, assinando parceria com a Maker Studios, que mais tarde foi comprada pela Disney Digital Network (DDN). Em 2013, Pewds já era o maior canal da rede, com 5 milhões de inscritos e cerca de 1.3 bilhões de visualizações do canal somente na segunda metade do ano.

Como de costume, o crescimento exponencial que PewDiePie teve neste curto período de tempo, atraiu os olhos da mídia tradicional. E em 2015, a revista Variety teve, pela primeira vez, um influenciador digital em sua capa. A capa da edição, por si só, já era histórica, porém, a maneira como a mídia resolveu retratar o YouTuber já começava a definir o modus operandi dali para a frente.

Persona Non Grata

Dois símbolos. Um grande X atravessando o peito do YouTuber, e a luva de “número 1” de tamanho insignificante. Juntos, insinuavam que, apesar de ser uma grande personalidade, Felix Kjellberg ainda não era nada para o mundo. Na mesma edição, Jeff Minton retratou Felix de uma maneira extremamente simbólica. Quase que profética. Na foto, Kjellberg usa a luva de “número 1” como uma arma apontada para sua cabeça. E foi o que aconteceu.

Em 2017, Pewds entrou em uma série de controvérsias que culminaram com a hashtag “#PewdiepieIsOverParty” sendo tendência mundial no Twitter. Poucos dias depois, o YouTuber se meteu em mais uma enrascada ao utilizar o site Fiverr. No vídeo, Kjellberg compra diversos serviços por 5 dólares. No vídeo, PewDiePie mostra sua reação à uma de suas compras, onde pagou uma dupla de indianos para exibir a mensagem “MORTE A TODOS OS JUDEUS” em um cartaz.

Imediatamente Pewds pediu desculpas, dizendo: “Eu sinto muito. Eu não achei que eles realmente fariam isso. Eu me sinto parcialmente responsável”, acrescentando “Eu não sou anti-semita, […] então não tenham a ideia errada. Foi um meme engraçado, e eu não achei que iria funcionar, ok?”. Neste momento, PewDiePie recebeu críticas de todos os lados: de sua comunidade e de vários meios de comunicação.

Como resultado desse vídeo, PewDiePie automaticamente entrou na lista negra do Wall Street Journal, que se aproveitou, de todas as formas possíveis, do YouTuber.

Um Mundo Controverso

Com essas e outras controvérsias pipocando de todos os lados, e com a mídia tradicional o perseguindo como persona non grata, Felix perdeu seus contratos com a Maker, Disney e com o YouTube, que cancelou o lançamento da segunda temporada de seu show no YouTube RED: “Scare PewDiePie”, mesmo sendo uma das séries de maior retorno da plataforma.

Obviamente a perseguição ao YouTuber não foi nada boa. Além de ter dado início ao “Adpocalypse”, o apocalipse do AdSense do Youtube, Felix, que já havia ultrapassado a marca de 50 milhões de inscritos, começou a perder fãs. Ter 2 milhões em perdas de inscritos em seu canal em menos de uma semana não é nada bom para quem precisa de números para continuar relevante.

Mas nem tudo que é ruim, vem para o mal. Esse momento de perdas e perseguição fizeram com que Felix revisse seu conteúdo e sua maneira de interagir no YouTube. Gameplays já não eram mais seu forte havia muito tempo, então estava na hora de se reinventar a assumir seu papel como persona non grata.

Novos Ares para o Canal

Em 2018, se você quisesse saber o que estava dando de errado no YouTube, era só acessar o canal de PewDiePie. Lá, em meio à diversos vídeos de react e reviews dos memes do momento, você encontrava a série “Pew News”, onde o número 1 do YouTube criticava as alterações de algoritmo da plataforma, mostrando como ela estava afetando negativamente diversos creators menores, enquanto outros, que não precisavam de incentivos do algoritmo por já possuírem estabilidade, continuavam a se beneficiar.

Entre outras críticas, Felix também começou a criticar outros creators e usuários de outras plataformas, como o Twitch. Nesse momento, todos tentaram se aproveitar do YouTuber para crescer ou pegar seu AdRevenue através de CopyStrikes, como foi o caso de Alinity, uma das streamers do Twitch.

Comparado ao que Felix já havia sofrido, os backslashes de suas atitudes contra outros creators não foram nada. Inclusive, o auxiliaram a recomeçar sua crescente e continuar no posto de maior canal do YouTube. Onde alcançou a marca de 60 milhões de inscritos.

A Ameaça vem com o Nascer do Sol

Em setembro de 2018, uma ameça a seu posto de maior canal do YouTube surgiu ao leste indiano: T-Series. O canal, que funciona no modelo de plataforma multi-canal, sobe cerca de 10 vídeos por dia na plataforma, arrecadando cerca de 10 bilhões de visualizações em um mês. Algumas teorias indicam que qualquer usuário nativo da Índia inscreve-se automaticamente no canal quando cria uma conta no YouTube.

Projeções indicavam que PewDiePie seria ultrapassado pela T-Series em contagem de inscritos em meados de outubro, porém, em forma de brincadeira, o YouTuber MrBeast subiu o vídeo “Eu comprei todos os outdoors da minha cidade para isso”. No vídeo, MrBeast pede à sua comunidade para se inscrever no canal de PewDiePie. O vídeo começou uma onda de contribuições, onde muitos outros creators começaram a pedir para suas comunidades que se inscrevessem no canal de PewDiePie, mantendo o sueco em primeiro lugar como o maior canal da plataforma.

As possibilidades foram infinitas. O hacker TheHackerGiraffe utilizou uma falha na rede para fazer com que 50.000 impressoras imprimissem panfletos pedindo às pessoas para se inscreverem no canal de PewDiePie e cancelassem a assinatura da T-Series.

Hoje, dia 04 de dezembro de 2018, PewDiePie segue sendo o maior canal do YouTube, estando 565 milhões de inscritos à frente da gigante T-Series. A comunidade se uniu para não deixar o creator perder seu posto. Para a comunidade de creators, pessoas são o maior ativo.

A Cereja do Bolo

Sabendo da força da comunidade, Felix chamou a atenção para um assunto pertinente: trabalho infantil.

Em seu último upload, PewDiePie aproveita o momento e sua posição enquanto surfa a crista da onda, para abrir os olhos da comunidade quanto ao trabalho infantil, principalmente na Índia. Pewds diz que, por mais que a situação seja divertida, não podemos fechar os olhos para algumas situações.

Ele alerta que diversas pessoas se utilizam do momento para praticar xenofobia e racismo nos comentários de vídeos da T-Series. Seu pedido é que sua comunidade – pelo menos os dispostos a ouvir – redirecione a energia para algo mais positivo. Ajudar alguma causa importante. O incentivo de Felix é para doar qualquer quantia para a associação Cry, que auxilia crianças em vulnerabilidade social na Índia.

Hoje, existem cerca de 22.8 milhões de crianças trabalhadoras na Índia entre 15 e 18 anos. E 10,13 milhões entre os 5-14 anos. Isso signfica que 1 em 11 crianças fazem parte da estatística de trabalho infantil no país mais populoso do mundo. As estratégias da CRY envolvem: Identificar as causas que forçam famílias e comunidades a permitir que as crianças se envolvam em trabalho infantil; abordar essas questões subjacentes interagindo com os pais, líderes comunitários e coletivos infantis; e capacitar as comunidades para exigir esquemas de emprego, segurança alimentar e acesso à todas as provisões do governo.

Não é a primeira vez que Felix Kjellberg utiliza sua influência para ajudar em causas sociais. O YouTuber já ajudou o Hospital de Pesquisas Infantis St. Jude e lavantou dinheiro para levar água potável para países em necessidade no continente africano, através da Charity: Water.

Apesar de todas as controvérsias, PewDiePie segue sendo um exemplo positivo. Mais influenciadores digitais precisam utilizar sua força e sua voz para impactar de maneira positiva no mundo. Independente dos desafios que possam surgir. A questão que fica é a seguinte: a mídia tradicional falará disso, ou o bem não angaria cliques?

Em tempo: subscribe to PewDiePie! Ou ajude a campanha!

Joe Guidini

Joe Guidini

Diretor de Comunicação e Storytelling na Escola Caxias Criativa.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Últimos posts

Sobre a ECC

Um hub que desenvolve Habilidades do Futuro e Novas Tecnologias através de Inovações em Sala de Aula para o transformar o Profissional do Presente em um Profissional de Alta Performance.

Siga nas redes

×

Carrinho

Baixe o conteúdo do programa completo

Preencha o formulário abaixo para receber mais informações sobre este curso.